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Funk: propósito e consequências

Funk: propósito e consequências

Começo escrevendo esse texto me comprometendo a faguentar as críticas que provavelmente virão. Esse para muitos é um assunto delicado, pois envolve cultura, identidade e etc etc etc. Há tempos penso e opino sobre isso, quase que diariamente, mas finalmente tomei a coragem de me expressar em um texto público.

O primeiro ponto desse texto é sobre cultura, pelo simples fato de que muitas críticas nunca são exteriorizadas pela aura protetora que envolve a palavra “cultura” e suas ramificações. Com certeza você leitor já se deparou em algum ponto com uma frase mais ou menos assim “É a cultura deles, poxa”. Talvez seja forte demais dizer que existem culturas superiores e culturas inferiores, não concordo com isso, cultura é cultura e ponto. Contudo, é óbvio que existem culturas mais avançadas e desenvolvidas, isso é um fato. Posso citar inúmeras culturas menos desenvolvidas e que DEVEM ser criticadas sim, por exemplo povos que mutilam o clitóris da meninas, caso que se tornou um problema para a ONU.

Quantas vezes você já viu rituais absurdas de tribos? Nesses chovem crítica, longe de querer comparar uma coisa com a outra, mas é importante para realçar a primitividade de algumas culturas. Agora tratando-se de Funk, nem pense em MC Marcinho e etc. Aqui me refiro aos funks que tocam em festas de todo Brasil, letras que constroem uma insensatez diária. Deixando claro que não estou falando de ritmo, harmonia, já que entendo bem pouco de música, aqui estou falando de letra e propósito. Sabe aquele papo de modernidade líquida, relações líquidas e etc? Funk se encaixa perfeitamente como um hino para as relações pós-modernas. Um ponto bem curioso é atribuição da luta das mulheres e empoderamento ao funk, mas ao mesmo tempo o funk sexualiza e banaliza o sexo feminino.

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Vocês não percebem que a música influencia diretamente as pessoas e por consequência gerações? Assim como é absurdamente prejudicial determinadas piadas, com homossexuais por exemplo, pelo fator de que tais piadas mantém o preconceito enraizado na história, o funk faz o mesmo. Uma vez ouvi que tais atribuições nos levam de volta aos tempos das cavernas, a falta de opinião própria do ser-humano nos esvaziou e nos tornam imitadores de tendências. Não pelo estilo musical em si, mas suas letras, suas mensagens, seus propósitos de ostentação e sexualização. Sério, é bizarro as festinhas que existem, a sensação que temos é que estamos em uma dança do acasalamento e a qualquer momento um rapaz irá chegar e bater com um porrete na cabeça da menina para arrasta-la até sua caverna, sério. Temos outro fator aqui, a utilização do funk como “forma de expressão dos mais pobres e oprimidos”, besteira, funk rola pra classe média em festinhas bem longe da favela. Aaah e temos o funk ostentação por exemplo, que é a propaganda mais sólida do capitalismo que pode existir, afinal todo mundo tem chance de crescer? Você saiu da favela? Luta, corre atrás que você pode ter um Camaro e uma corrente do ouro. Vocês não percebem o quanto isso faz mal? Talvez pra nós muito pouco, mas imagine uma criança de 10 anos sem dinheiro nem pra comprar material escolar, convivendo diariamente com pessoas “INCRÍVEIS” que fazem o querem por que tem anel de ouro, roupa de marca, tênis caro e o sei lá o que mais. TODOS OS DIAS isso na sua realidade, na sua frente, acrescentando um termômetro de capacidade determinados por fatores econômicos e materiais. Se rolar uma oportunidade fácil de ganhar dinheiro pra obter tudo isso, “bora né?” Completa influencia ao tráfico de drogas.

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Eu sei que eu posso estar generalizando um pouco, mas os que chegam aos meus ouvidos são basicamente assim. Diferente de Racionais Mc’s que por sua vez descreve essa realidade, as letras agressivas do funk constroem e mantém essa realidade. Antes de continuar, se liga nessas imagens que valem bem mais do que eu escrevo:

 

(isso é muito Black Mirror)

Tem tanta coisa pra falar que eu realmente não sei se eu vou conseguir por tudo aqui, mas outra coisa ABOMINÁVEL é a relação disso com as crianças, nos colégios, nas ruas, em tudo. Crianças de 11, 12 anos agindo como se tivessem 30 com mais experiência sexual que o Alexandre Frota. Mas por que não? Os próprios cantores são crianças, não é o caso do MC Pedrinho, ou do Pikachu com esse novo sucesso “Toma sua gostosa” (sério, olha isso).  Só para e da uma lida com seriedade, capacidade e bagagem de uma especie que aprendeu a controlar o fogo, manipular a eletricidade e escrever sinfonias. A banalização das relações humanas e da cultura qualitativa nos deu a barbárie no passado, se continuarmos tapando os olhos a história pode se repetir. Assim como eu não abaixo a cabeça quando fazem uma piada com homossexualidade e etnia, também não vou ignorar uma criança falando “TOMA SUA GOSTOSA, TOMA”.

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Mas talvez eu seja um cara chato mesmo e o importante é curtir né? Bom, eu vou tentar pensar diferente enquanto eu puder.

 

 

(Essa é minha opinião e não expressa de forma alguma a opinião da Mídia Pura).

Sobre o Autor

João Narciso

Aficionado por ciência política, admirador de coisas bonitas e veemente a simplicidade. Estudante de Sistemas de Informação, desenvolvedor front-end e designer.